Hoje decidi brindar o início da primavera de 2009, o último dia do mês de setembro, a amizade e todos os aeromodelistas que um dia construíram um kit da Casa Aerobrás, estão construindo um e ainda irão construir.
Taylorcraft construídos a partir de kits da Casa Aerobrás.
Pois é, mesmo que o praticante do aeromodelismo não voe, ele faz grandes e sólidas amizades, através deste fantástico hobby.
Assim apresento o amigo Lucio Chiarello, que além da amizade, brindou-me com a descrição, fotos e detalhes da construção de um Taylorcraft, a partir de um kit da Casa Aerobrás, originalmente projetado para ser acionado por motor a elástico.
Fundada em 1943, a Casa Aerobrás é mais que referência na minha vida como acredito ser também na vida de muitos que tem o vírus “aerococus” no corpo.
Parte da planta do Taylorcraft da Aerobras.
Para quem ainda não teve a oportunidade de montar um kit de aeromodelo, as técnicas utilizadas na montagem do Taylorcraft aqui apresentadas são praticamente universais.
Saem as tiras de elástico; entra um motor elétrico…
O Mini Taylorcraft da Aerobras tem 620 mm de envergadura e 440 mm de comprimento e pesa… bem, como vai receber motor elétrico, speed control, bateria, dois servos, lincagem e mais alguma coisinha, o peso tem que ser seriamente considerado: todo o cuidado na montagem é pouco.
Uma vez que o Lucio já havia montado um kits destes e participado de discussões junto com outros construtores, já sabia os cuidados que teria que tomar.
O kit sofreu várias alterações, que estão listadas e ilustradas a seguir:
Asa já pronta para ser entelada. Observar os furos executados nas nervuras para diminuição de peso. Redução do diedro para aproximadamente 3º graus.
Colocação de dobradiças no leme e profundor -- feitas a partir de CA hings (a moeda é de cinco centavos de Real), mas do tamanho de uma ponta de lápis!
Montagem é feita com cola CA fina na maior parte do modelo. CA deve ser aplicada com cuidado, pois após secar o peso tende a aumentar.
O trem de pouso, asa, profundor e leme foram colados com epóxi 5 min.
Confecção de uma porta para colocação da bateria, com dobradiça de acetato e fixa com imã e uma arruela. A balsa foi moldada com água e deixada secar por 24 horas em um pote de vidro com diâmetro adequado.
Vista interna da porta do compartimento da bateria, com uma arruela colada, que funciona como mecanismo de fechamento, ao se prender a um imã.
Bequilha traseira construída a partir de uma fatia de balsa cilíndrica com um furo central e lixada na Dremel, um ilhós como cubo, arame 0,8 mm e solda na ponta.
O nariz foi esculpido com uma Dremel até ficar paracido com uma casquinha. Observar a parede de fogo de “compensado” de balsa fina. O speed control e os servos do profundor e do leme já estão instalados.
A hélice recebu uma bucha de borracha de lápis no centro, pois o furo original é de 4 mm e o eixo do motor tem 1,5 mm de diâmetro. Lucio fez questão de caprichar ainda mais, pintando o conjunto com caneta “marca CD” preta… afinal laranja ninguém merece…
Horns das superfícies de comando produzidas com 2 pequenos pedaços de chapa de balsa de 1 mm coladas com CA e as nervuras da madeira opostas, criando um compensado leve e forte.
Push Rod com alfinete dobrado em L. Como um lado já tem a cabeça, são evitadas dobras em Z. A vareta é de carbono de 0,8mm; com tubo termo retrátil e CA para colar o “alfinete”.
Lixar todas as partes antes de entelar pode não ser uma tarefa das mais agradáveis, uma vez que todo o modelo é frágil, mas é recompensador, pois além de deixar o avião com uma aparência agradável, ainda alivia algum peso.
Lucio recomenda pesar o modelo a cada etapa terminada, para não se ter surpresa desagradável no final da construção.
A entelagem feita com papel de seda japonês colorido, além de muito leve, oferece uma excelente aparência. O acabamento foi feito com dope diluído com 50% de solvente. Observar a hélice pintada…
O trem de pouso recebeu “detalhes escala”, que simulam o sistema de amortecimento (sandow -- Elastic Shockcords), confeccionado com balsa redonda e linha.
Detalhe da conexão do push rod no horn do leme. Lucio não deixou passar nada e caprichou na instalação da bequilha, que é móvel!
Compartimento da bateria com porta fechada por imã.
Este é um dos momentos mais esperados e de maior satisfação: após um trabalho agradável, o Taylorcraft passa pela derradeira pesagem: 73,09 g sem a bateria de lítio de duas células e 200 mAh.
A seguir encontram-se listados pesos individuas dos componentes:
Speed control de 6 A: 5,09 g
Receptor de 4 canais: 54,8 g
Dois servos: 4,35 g x 2 = 8,70 g
Motor elétrico: 7,08 g
Hélice 5” x 3”: 1,53 g
Bequilha: 0,41 g
Lincagem: 1,09 g
Para brisa: 1,64 g
Bateria de lítio 2S 200 mAh: 13,74 g.
É importante mencionar que o Taylorcraft foi projetado para propulsão a elástico, ou seja, para o chamado vôo livre. Desta forma, todo o cuidado tomado durante a construção do kit, a escolha e instalação dos componentes eletrônicos é um fator decisivo no desempenho em vôo do avião, que deveria voar bem em espaços fechados, isto é, indoor.
Mas o Lucio resolveu levar o Aerobras Taylorcraft para a pista… Vejam no que deu!
Caríssimo Lucio, receba meus cumprimentos pelo magnífico trabalho realizado com este kit do Taylorcraft, assim como todos os colegas que de alguma forma estiveram envolvidos nesta empreitada.
Para os que desejarem uma infinidade de detalhes sobre a construção de pequenos modelos, tanto para vôo livre, quanto com motorização elétrica, este é o local:













Olá Lineu…
Creio que o LC esqueceu de mencionar de onde ele tirou todo o aprendizado sobre como fazer o taylor.. que fou feito em 2006 e postado no mesmo e-voo e voou no Ibira no mesmo ano.
http://www.youtube.com/watch?v=PPF6zaDR_9w
http://www.youtube.com/watch?v=UbdfOmcpww4
Post Original de 2006 no e-voo
http://www.e-voo.com/forum/viewtopic.php?t=9676&postdays=&postorder=asc&start=0
Caro Marco Antonio,
Não foi o Luciano que esqueceu qualquer menção nominal, mas sim eu, uma vez que fiz o post e simplesmente mencionei o site E-vôo e “os colegas que de alguma forma estiveram envolvidos”.
Aceite minhas desculpas, não apenas você, mas todos os envolvidos não nominados.
Qualquer tarefa desta envergadura não é fruto da criatividade e do trabalho de apenas uma pessoa, por isto reitero que não tive em nenhum momento a intenção de prejudicar quem quer que fosse.
abraço forte, Lineu